quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A importância do Código Florestal

  É comum vermos todos os anos, principalmente durante o verão notícias de inundações, desabamentos, pessoas desabrigadas e feridas. Parece nem nos tocar mais as imagens na televisão de bairros e cidades inteiras debaixo d’água. Isso acontece porque já vivemos um período de mudanças, não quer dizer, necessariamente, que chova mais a cada ano e sim que a cada ano há menos áreas de escoamento e infiltração da água da chuva. Os casos mais recentes são no estado do Acre, mas já aconteceu em Santa Catarina, Maranhão, no Rio essa fatalidade acontece todos os anos, e fora do Brasil também.
   Em primeiro lugar só existem áreas de risco porque existem pessoas vivendo em áreas que deveriam ser de proteção ambiental e não destinadas a moradias, como topo e encosta de morros, em declividade acima de 45°, a menos de 20m de rios e lagoas por exemplo. Mas ninguém escolhe morar assim, isso, é claro, é consequência da desigualdade social, êxodo rural, falta de planejamento na construção/aumento das cidades etc.
  Em segundo lugar e em total desacordo, ao mesmo tempo que temos essas tragédias temos os nossos representantes aprovando o novo Código Florestal no Congresso Nacional, que reduz ou elimina justamente essas áreas de proteção, porções de vegetação natural que são necessárias para evitar tragédias como as atuais. Os mesmos políticos que defendem a aprovação do novo C.F., para satisfação de grandes latifundiários, são os políticos que mais tarde terão de abrigar desabrigados, reconstruir casas e procurar corpos dentre os escombros, mas eles parecem não ligar essas duas pontas da história. As atuais mudanças no C.F. não afetaram somente em trasbordamentos de rios e deslizamentos de morros, mas esses já são sinais que estamos tendo de que devemos preservar o ambiente natural e não destruí-lo.
  Algumas das mudanças do novo Código prevê redução de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal e anistia a quem desmatou até 2008. Realmente a aprovação do novo C.F. seria uma legalização do que já acontece na prática, visto que os que preservam mata nativa em propriedades privadas são pouquíssimo, mas é esta a saída? Isso seria não só uma forma de incentivar mais desmatamentos mas uma punição aos que até agora realmente preservaram a porcentagem de RL e mantiveram as APPs obrigatórias.
Muitos acreditam que desenvolvimento não pode ser acompanhado de preservação ambiental, e isso, em parte, se deve aos ambientalistas extremistas que pregam a idéia da natureza intocada, onde tudo deve ficar no seu devido lugar. Errado, o que deve ser transmitido aos proprietários rurais é o lado positivo, inclusive economicamente, da preservação, onde pode-se retirar produtos como sementes, frutos e até madeireiros de suas RLs, onde propriedades diferentes confrontam suas RLs para haver uma maior área para sobrevivência da faua, onde a APP traz um equilíbrio ambiental que evita pragas e consequentemente reduz a utilização de agrotóxicos, o que já é uma exigência internacional de exportações, como o agrotóxico carbendazim usado em laranjais.
  O que falta para os políticos, ruralistas e muitos outros brasileiros entenderem que o CF é uma importante ferramenta para o desenvolvimento consciente é o incentivo à preservação, divulgadndo e ensinando suas externalidades positivas. O grande problema é que esse incentivo deveria vir primeiramente dos políticos, que parecem não estar abertos a discussões sobre o assunto. Mas esforços para tentar abrir a mente dessas pessoas não faltam muitas conferências já foram feitas, livro com artigos cientíificos sobre o assunto já foi lançado e antes da próxima votação do C.F. prevista para 06 e 07 de Março haverá um seminário: “Código Florestal e ciência: o que nossos legisladores ainda precisam saber” dia 28 de Fevereiro. Mais informações www.florestafazadiferenca.org.br.





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